Surgimento, povoamento e elevação à cidade

Picos, como muitos municípios brasileiros, tem sua história acompanhada pela forte religiosidade. Atraída pela fertilidade das terras em torno do Rio Guaribas, a família Borges Leal se instala na região e logo ergue a capela de São José de Botas, por volta de 1830. Por ali começa o povoamento de Picos, antes conhecido como Retiro do Curralinho e Fazenda do Pico.

Em 1851, Nossa Senhora dos Remédios se torna padroeira de Picos. Somente 20 anos depois, a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios é construída pelo Padre José Antônio Pereira Ibiapina, e então, a imagem da padroeira é levada para seu templo. Com o crescimento em termos populacional e econômico, em 1890, Picos é elevada à categoria de cidade pelo Barão de Uruçuí, o senhor João da Cruz e Santos. Nesse mesmo ano,1890, toma posse o primeiro prefeito de Picos - Clementino de Sousa Martins.

O novo século e o telégrafo

A primeira década do novo século fica marcada por avanços e melhorias que impactam a rotina dos picoenses. O telégrafo, por exemplo, revoluciona a comunicação na cidade, possibilitando o encaminhamento de mensagens de Picos à capital Teresina, de forma ágil e segura. A peça original do primeiro telégrafo está em exposição permanente do Museu Ozildo Albano. Pouco depois, o primeiro Código de Postura do Município é organizado, normatizando os deveres dos cidadãos e do Município. E o querosene também faz história, utilizado pela primeira vez em Picos, em 1904.

Informação e música nos anos 1910

Em novembro de 1910, surge o primeiro jornal de Picos, O Aviso, com produção de notícias locais e informações da região. Posteriormente, em 1913, é datado o surgimento do jornal O Rebate. Nesse período, a banda de música Primavera foi difundida para alegria das famílias picoenses.

(Infelizmente, não foi possível conseguir fotografias ou maiores informações acerca desses momentos marcantes para história picoense)

Anos 1920: a chegada da luz e da primeira escola pública

Os anos 20 são marcados por desenvolvimento na cidade de Picos, apesar de uma grande enchente que toma a cidade povoada às margens do Rio Guaribas. Picos recebe luz elétrica, no dia 15 de agosto de 1928. A inauguração é um evento marcante: o “Festival da Inauguração da Luz”.

Além disso, a década de 20 é um marco na educação picoense, quando em 1929, é fundado o Grupo Escolar Coelho Rodrigues e os primeiros professores formados chegam a Picos, contribuindo, assim, para educação do município.

Nesse período, ocorre uma reforma e ampliação da capela de São José de Botas, junto com ela, a mudança de padroeiro, e assim, a Igreja de São José de Botas passa a ser a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, a conhecida igrejinha.

A seca dos anos 1930

Durante a década de 30, Picos e região vivenciam uma grande seca. No entanto, é nessa mesma década que surge a primeira rua larga: Coriolano de Carvalho, atualmente chamada de Avenida Getúlio Vargas.

Enquanto isso, na educação, o Grupo Escolar Coelho Rodrigues passa a funcionar como primeiro prédio de escola pública, localizado na Praça Josino Ferreira, onde hoje é o Museu Ozildo Albano. O local disponibiliza acesso à educação para todas as crianças, desde os filhos de famílias ricas e influentes, como também as crianças mais carentes de famílias pobres estudavam na mesma escola.

Praça Félix Pacheco: ponto de encontro de todo mundo na década de 1940

Em 10 de janeiro de 1942 é inaugurado o espaço que passa a ser o ponto principal de lazer, diversão, socialização e turismo da época, a Praça Félix Pacheco. A praça é, então, o único jardim público da cidade. “Depoimentos de forasteiros, especialmente de caixeiros-viajantes, confirmavam as opiniões de que em nenhuma outra cidade do interior nordestino as noites na praça principal tinham tanta movimentação e colorido quanto em Picos” – Renato Duarte, no livro Os verdes anos cinquenta.

A igreja Nossa Senhora dos Remédios é demolida e erguida a nova estrutura em estilo gótico. Hoje, é considerada uma das Sete Maravilhas do Piauí. A Prefeitura Municipal de Picos inaugura o prédio próprio, na Praça Josino Ferreira, onde hoje funciona a Secretaria Municipal de Cultura, e o Matadouro Público, ambos em 1945.

“Os verdes anos 50”

A década de 50 marca os 100 anos da Vila Picos, período em que a região é cortada pelo “cinturão de umidade”, tempo em que o leito do Rio Guaribas é o cenário perfeito para as grandes vazantes de plantação de alho dos agricultores picoenses. O Guaribas representa vida. Em 1953, o sonho de 36 jovens se torna realidade e faz história: a turma Desembargador Vidal de Freitas, do Ginásio Estadual Picoense, se forma e se torna a primeira turma a concluir o ginásio em solo picoense. Esse momento foi celebrado pela população com grandes festas, pois, até então, a juventude local precisava sair da cidade natal para concluir os estudos ginasiais.

Assim, o setor educacional vive a alegria dos “verdes anos 50”, assim como o setor agrícola e o de desenvolvimento com a perfuração do primeiro poço artesiano da cidade.

Abundância dos anos 1960

Como não lembrar da Oiticica, que plantada, na praça Félix Pacheco, pelas mãos de crianças da Escola Padre Anchieta, abriga, desde 1962, histórias de quem todos os dias passa, conversa e busca o sustento para família embaixo de sua sombra? A década de 60 traz valores que não se mensuram em palavras. Traz educação, com a criação da Escola Normal Oficial de Picos; traz oportunidades a seu povo; traz mais história para contar.

Traz sorrisos e risadas leves, com o Cine Spark; mas também traz água em abundância.

Anos de desenvolvimento: 1970

Nossa terra é também a terra do alho, que nessa década ainda é plantado às margens do Rio Guaribas. Tempo de inaugurações de escolas, como Vidal de Freitas e Marcos Parente, que fazem parte da formação de muitos picoenses. Quanto ao Marcos Parente, nesta década houve a inauguração das novas instalações, pois esse colégio chegou a Picos em 1949.

Os anos 70 são marcados pela chegada do 3o Batalhão de Engenharia de Construção (3° BEC). Além disso, as Indústrias Coelho chegam a Picos e movimentam a economia local, gerando empregos e renda na cidade.

Anos 1980: nasce uma cidade universitária

Em 1982, mais um marco histórico para Picos: o Palácio Coelho Rodrigues é construído na gestão do prefeito Valdemar Rodrigues de Sousa Martins. Com grande estrutura, o local passa a ser a sede do Governo Municipal. A Universidade Federal do Piauí é implantada em Picos, no mesmo ano, com cinco cursos de licenciatura curta. Em 1984, é autorizada a plenificação (duração de quatro anos) desses cursos. Nascem os cursos de Pedagogia e Letras.

A chegada da UESPI nos anos 1990

A Universidade Estadual do Piauí chega à cidade de Picos nos anos 1990 promovendo crescimento significativo na região com os cursos de bacharelados. A UESPI passa a ser um grande polo de formação universitária no Sertão do Piauí, impactando a qualidade dos serviços e da educação local. A UFPI foi reaberta em 1991, com dois cursos voltados para a formação de professores (Licenciatura em Letras e Pedagogia), após quatro anos de ter sido desautorizada.

Século XXI: cresce a cidade universitária

“Eita, o rio está entrando na cidade”. “Não! Foi a cidade quem entrou no rio”. O som de um dilúvio amedrontava os moradores da cidade de Picos em 21 de janeiro de 2004. Outra grande enchente estava chegando. Ruas devastadas e arruinadas pela tamanha agressividade da tempestade que teve uma duração de aproximadamente dez dias. A chuva alcançou toda a região. Os maiores prejuízos da “Enchente de 2004” são sofridos pelos moradores dos bairros mais carentes e pelos agricultores, com plantações completamente destruídas.

Após 24 anos da implantação da Universidade Federal do Piauí em Picos, em 2006, a expansão da UFPI marca a história da educação no Piauí. O campus, que até então contava com dois cursos, ganha mais sete e passa a atuar com nove.

Outro polo educacional surgiu em 2006, o Instituto de Educação Superior Raimundo Sá, a Faculdade R.Sá.

No ano seguinte, 2007, foi inaugurado o Centro Federal de Educação Tecnológica do Piauí (CEFET) com cursos do Ensino Médio e Profissionalizante. E 2009 o CEFET torna-se, também, um campus universitário com os cursos de licenciaturas em Física e Química passando a ser chamado de IFPI (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí). Com a expansão universitária, há uma mudança notória na perspectiva dos jovens da cidade, com a formação de cidadãos cada vez mais críticos, observadores e com mais vontade de reivindicar.

Anos 2010: avanços na educação e melhorias na mobilidade urbana

No ano de 2014 é inaugurado o novo campus da Universidade Estadual do Piauí, em Picos, o primeiro e mais moderno prédio, do Piauí, projetado para ser UESPI. Em 2016, Picos recebe o primeiro curso de Medicina da região, na UFPI, com a proposta de reestruturar o sistema de formação de médicos, com a interiorização de cursos no país.

A cidade é beneficiada, no mesmo ano, com a construção da Avenida José de Moura Monteiro, mais conhecida como Avenida Beira Rio. Depois de 45 anos de espera, a avenida é inaugurada para desafogar o trânsito e dar mobilidade, além de estimular o lazer e o esporte, com calçadão para caminhadas e ciclovia.

Em 2018 é aprovada lei que padroniza a identidade visual da administração pública municipal. O Brasão Oficial do Município de Picos representa a história, a memória e a cultura de Picos. O mel, o caju, o alho, o algodão, os picos que nomeiam a cidade, o Rio Guaribas, as rodovias e a Catedral de Nossa Senhora dos Remédios são lembrados no símbolo.

Uma nova história está sendo construída

A história deu a Picos muitos títulos: Terra do Alho, Cidade Modelo, Capital do Mel, Capital do Sertão. Por sua localização estratégica, cortada por três rodovias federais que nos colocam como o segundo maior entroncamento rodoviário do Nordeste, Picos se tornou apta para o comércio, que pulsa e movimenta a economia.

Temos também a segunda maior feira livre nordestina. E não fica aí. O tempo nos deu também a qualidade de Cidade Universitária, com mais oportunidades e visão. Essas características fincadas ao longo da história fazem com que o fluxo diário seja intenso de um modo tal, que a cidade abraça muito mais que os 80 mil habitantes residentes. A cidade abraça, diariamente, cerca de 300 mil pessoas. Para ser picoense, não precisa ter nascido aqui.

É no dia a dia que uma nova história está sendo construída em Picos por quem vive nela, por quem passa por ela, com memórias tão individuais, que variam de pessoa para pessoa, mas que, ao mesmo tempo, se entrelaçam na coletividade. História construída hoje por cada um que, de um jeito ou de outro, contribui para a melhoria da cidade. Cidade de muito movimento e também de uma tranquilidade pacificadora ritmada pelo provincianismo. Cidade de muitas memórias conservadas de muitos jeitos,ainda que não sejam os mais convencionais. Cidade também de futuro sonhado por nossa gente.

Temos histórias – o plural se impõe. A que foi narrada aqui não é única, nem a mais certa, é apenas uma versão. Afinal, todos os dias, uma nova história está sendo construída por cada um de nós.

Picos de histórias

Prefeitura Municipal de Picos

PREFEITO Pe. José Walmir de Lima

Coordenadoria de Comunicação Social

COORDENADORA Mayara Sousa Ferreira
CONCEPÇÃO E CURADORIA Mayara Sousa Ferreira
ASSISTÊNCIA DE CURADORIA Maria Aparecida Castro e Simone Alencar
PROJETO EXPOGRÁFICO Pedro Sátiro Araújo Neto
PESQUISA E TEXTOS Paloma Alencar, Simone Alencar, Maria Aparecida Castro, Mateus Silva, Batista Pereira
REVISÃO DE TEXTOS Maria Oneide Fialho Rocha e Suely Rodrigues
EDIÇÃO DE TEXTOS Mayara Sousa Ferreira

REPRODUÇÃO DE FOTOS Paloma Alencar, Maria Aparecida Castro, Mateus Silva, Batista Pereira
COMUNICAÇÃO VISUAL Color Systems
FOTOGRAFIAS DA EXPOSIÇÃO Cristina Varão, Acervo Varão Memórias, Acervo Museu Ozildo Albano, Arquivo Prefeitura Municipal de Picos, Unidade de Memória do Campus Picos – IFPI, IBGE, Acervo Demétrio Moura, Acervo Oneide Rocha, Acervo Maria Eunice Teixeira Soares, Faculdade RsÁ, CCom, Bruna Ravena – Ascom/UESPI, Sávio Magalhães, Mateus Silva
FONTES DOCUMENTAIS E BIBLIOGRÁFICAS Acervo Museu Ozildo Albano; Picos nas Anotações de Ozildo Albano, Maria da Conceição Silva Albano e Albano Silva (2011); Ser e fazer-se professora no Piauí no século XX: a história de vida de Nevinha Santos, Jane Bezerra de Sousa (2015); Picos: os verdes anos cinquenta, Renato Duarte (1991); Enciclopédia dos municípios brasileiros, IBGE (1959); site da UFPI, ufpi.br/sobre-picos (2019)

APOIO Maria Oneide Fialho Rocha

AGRADECIMENTOS Albano Silva, Bethy Albano, Maria Eunice Soares Teixeira, Maria Oneide Fialho Rocha, Suely Rodrigues, Vilebaldo Nogueira Rocha